Ethereum na mira de Wall Street e a nova fronteira da Inteligência Artificial
O mercado cripto sempre traz surpresas e, nos últimos dias, o ecossistema do Ethereum tem dado muito o que falar. A grande pergunta que ronda os investidores institucionais no momento é se a rede já tem maturidade suficiente para conquistar de vez Wall Street. Se olharmos para o histórico recente e para os novos desenvolvimentos tecnológicos da plataforma, a resposta parece cada vez mais nítida.
O clima em Denver e o peso institucional
Na última semana, a capital do Colorado foi palco de mais uma edição do Ethereum Denver. O evento anual reuniu a comunidade fiel à segunda maior blockchain do mundo, que tomou conta do espaço de rodeios da cidade. Curiosamente, a atmosfera por lá foge bastante daquele fervor quase religioso típico dos encontros de Bitcoin. Quem frequenta os eventos do Ethereum costuma descrever a experiência como algo mais parecido com um festival folk misturado com muita tecnologia.
É verdade que a conferência deste ano teve um tom um pouco mais contido se comparada às edições passadas, que aconteceram em meio a altas frenéticas de mercado. Ainda assim, a realidade passou longe daquele cenário apocalíptico e abandonado que o artista digital Beeple chegou a tuitar. Havia muita energia circulando nos corredores e a presença de figuras de peso do mercado financeiro chamou a atenção. O próprio presidente da SEC, Paul Atkins, marcou presença.
Esse interesse não fica apenas nos discursos, refletindo-se diretamente nos números e produtos financeiros, inclusive no Brasil. O ETF ETHE11 (Hashdex Ethereum), por exemplo, movimentou recentemente um volume expressivo de R$ 12.126.747,99. Apesar de ter registrado uma queda diária de 5,21%, fechando cotado a R$ 27,85, o fundo oscilou entre a mínima de R$ 27,62 e a máxima de R$ 29,02 no dia. Os dados mostram que a volatilidade continua, mas o ativo segue muito presente no radar de quem opera.
A revolução silenciosa dos agentes de IA
Mas o que realmente está movimentando os bastidores da rede não é apenas a aproximação com os engravatados tradicionais, e sim uma invasão tecnológica sem precedentes. Com o Ethereum cotado na faixa dos US$ 2.500 e apresentando uma alta de 1,42%, muitos se perguntam se a moeda se tornou uma oportunidade de compra imperdível. O grande motor dessa possível explosão de demanda atende por um nome bem específico: agentes de Inteligência Artificial.
Nós já sabemos que a IA é a pauta do momento. A novidade é que agora existem agentes autônomos capazes de executar uma série de ações complexas de forma independente, sem precisar de qualquer instrução humana direta. Só para se ter uma dimensão do fenômeno, até o dia 18 de fevereiro, mais de 11.000 desses novos atores artificiais já estavam operando no Ethereum. De uma hora para outra, a rede se consolidou como o principal polo de trabalho para essa tecnologia no universo das criptomoedas.
O impacto do padrão ERC-8004
Você deve estar se perguntando o motivo dessa enxurrada de agentes acontecer logo agora. Afinal, até poucas semanas atrás, encontrar uma IA operando de forma totalmente autônoma na rede era uma verdadeira raridade.
A resposta está em uma atualização estrutural. No final de janeiro, entrou no ar um novo conjunto de diretrizes conhecido como ERC-8004. Basicamente, essas regras padronizam a forma como os agentes de IA devem ser identificados, avaliados e rastreados dentro da blockchain. Graças a isso, agora é possível descobrir essas IAs e analisar o histórico de trabalho delas cruzando diferentes organizações, tudo sem depender de uma plataforma centralizadora que possa manipular ou enviesar os resultados. Na prática, o Ethereum se tornou hoje o ambiente mais controlado e previsível para fechar negócios que envolvam entidades automatizadas.
O impacto econômico dessa mudança é direto e bastante real. Sempre que um desses agentes executa uma tarefa para a qual foi contratado, ele precisa pagar taxas de transação. E essas taxas são cobradas em Ether. Além disso, essas IAs precisam manter um saldo na criptomoeda para conseguir custear serviços de finanças descentralizadas (DeFi) e acessar qualquer outra ferramenta necessária para concluir seus trabalhos. É toda uma nova classe de usuários não-humanos gerando uma utilidade orgânica e constante para a moeda.